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Biometria na vigilância eletrônica PDF Imprimir
Escrito por José Alberto Canedo   

Uso da biometria para verificar ou identificar a presença de indivíduos em uma dada área ou espaço. Normalmente requer monitoramento complementar por humanos. A vigilância eletrônica não assume que o usuário está ciente ou aceita o sistema e na grande maioria dos casos a identificação deverá ser feita sem que o indivíduo saiba. O conhecimento do sistemas por parte do indivíduo pode fazer com que ele use artifícios (disfarces, óculos, maquilagem, chapéu) para não ser identificado. Trata-se de uma tecnologia recente, bastante interessante, extremamente desafiadora e também controversa no que diz respeito a privacidade.

A vigilância eletrônica é um dos usos mais interessantes da biometria pois tradicionalmente a vigilância eletrônica é usada como uma ferramenta dissuasiva e na detecção de atividades ou pessoas suspeitas, podendo deter crimes antes que aconteçam ou reagir a tempo de capturar a pessoa que praticou o crime. Mas até recentemente não podia identificar pessoas que já cometeram um crime no passado.

Os sistemas de vigilância eletrônica com biometria processam as imagens (ao vivo ou de gravações anteriores) em busca de pessoas que apresentem um grau de similaridade com os indivíduos em uma lista (normalmente uma lista pequena de indivíduos de alto interesse). Uma comparação normalmente chamada um para poucos. Os sistemas de vigilância emitem alertas sempre que detectam uma alta similaridade e a partir daí os operadores do sistema assumem, realizando comparações visuais e de outras informações sobre o indivíduo de interesse, como altura, sexo, cor dos olhos, etc. Fica a cargo dos operadores do sistema a abordagem do suspeito para uma identificação definitiva, continuar com a vigilância sobre o suspeito, ou considerar como um caso de falso positivo.

A face humana pode ser capturada de alguma distância e sem necessidade de contato, por isso o reconhecimento facial é muito utilizado em aplicações de vigilância. O reconhecimento facial também pode utilizar os circuitos fechados de TV (CFTV) tradicionais dos sistemas de vigilância.

Embora seja o método biométrico mais tradicional em vigilância e poder fazer uso de múltiplas imagens por indivíduo, os algoritmos atuais funcionam muito mal em condições adversas de pose e iluminação.

A locomoção (do inglês gait) se refere a forma como uma pessoa anda e é umas das poucas formas de biometria que podem ser reconhecidas a grande distância. Embora ainda existam poucos resultados práticos, é uma técnica promissora para os cenários de vigilância.

O reconhecimento de voz é usado normalmente em espionagem, no esforço de localizar uma pessoa através da análise de voz de todas as conversas que passam por uma central telefônica ou satélite.

Existem várias outras pesquisas envolvendo o uso da íris à distância (como no filme Minority Report) e termografia facial, que tem a vantagem adicional de identificar pessoas em lugares escuros ou à noite.

As polícias podem usar a vigilância eletrônica nos sistemas de lista negra. Nesse tipo de sistema apenas os criminosos mais perigosos e foragidos da polícia são inclusos na base de dados com o objetivo de manter uma base pequena que possa ser buscada em tempo real. Esses sistemas são instalados em locais com grande fluxo de pessoas, como aeroportos e estádios, e ficam dia e noite comparando todas as pessoas que passam com sua pequena base interna. Ao identificar alguém, a polícia presente no local é avisada para que faça a abordagem do suspeito. Esses sistemas devem evoluir para fazer uso dos sistemas de câmeras amplamente usados por governo e empresas, no entanto é preciso ser realista diante das limitações da tecnologia. O reconhecimento de indivíduos em condições não ideais de iluminação, distancia, pose é bastante limitado e é possível que várias pessoas sejam identificadas errôneamente enquanto indivíduos da lista passam desapercebidos.

De acordo com o IBG (International Biometric Group) mais de 75% dos casinos nos Estados Unidos já tem reconhecimento facial integrados a seus sistemas de vigilância eletrônica.

Diante do grande investimento que os cassinos sempre mantém em segurança, o reconhecimento facial acaba por ser apenas mais um item, principalmente porque o investimento em câmeras de alta resolução já foi feito de qualquer forma.

Nos Estados Unidos os cassinos trocam informações entre si, inclusive informações sobre grupos de trapaceiros, contadores de cartas, batedores de carteira, trambiqueiros e toda sorte de criminosos que costumam rondar os cassinos. Essas informações vão parar no sistema de reconhecimento facial, que alerta para similaridades.

Esses sistemas tem uma taxa de erro alta, mas todos os seus avisos são analisados pela segurança do cassino. No fundo o sistema de reconhecimento facial funciona como um filtro analisando milhares de faces e dizendo ao pessoal de segurança em quais eles deveriam focar seus esforços de vigilância.

É fácil imaginar esse sistemas sendo implantados por supermercados, grandes lojas de varejo, shopping centers, etc, todos com objetivos semelhantes aos cassinos, ou seja, eliminar os prejuízos causados por toda sorte de criminosos que vêem essas empresas como um alvo.

Agências governamentais de segurança e inteligência são famosas por espionar conversas telefônicas e via internet. Atualmente essas agência possuem filtros para realizar o reconhecimento biométrico de um alvo analisando milhões de conversas gravadas.

Sistemas de vigilância não servem só para ajudar na identificação, eles também tem um efeito dissuasivo a ser considerado. Muitos dos criminosos podem se sentir intimidados por esses sistemas e partir em busca de outras vítimas.

A identificação facial pode também ajudar a identificar pessoas viciadas em jogos. Nesse  cenário os próprios viciados colocam a si mesmos em uma lista de exclusão nos cassinos, para que não possam jogar em caso de recaída.

No setor comercial a biometria pode ser associada a vigilância eletrônica para identificar VIPs, ou seja um cliente importante de um cassino ou banco, por exemplo.

Como os ambientes não podem ser controlados e não se pode contar com a colaboração dos indivíduos, o reconhecimento biométrico tem que enfrentar adversidades, como iluminação inadequada, distância e pose do indivíduo, ângulo de instalação das câmeras, fundos da image entre outros problemas específicos de cada biometria utilizada. O hardware existente nos CFTVs normalmente são de baixa resolução e não funcionam com a geração atual de algoritmos de reconhecimento facial.

Existe uma preocupação real em relação ao rastreamente, que é a vigilância em tempo real de um indivíduo ou perfil, onde as atividades passadas do indivíduo podem ser reconstruídas. Isso destruiria o direito ao anonimato. Tais sistemas de vigilância eletrônica podem ameaçar as liberdades individuais, se não implementados com cuidado.

 

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