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Escrito por José Alberto Canedo   

Antes da existência da tecnologia biométrica automatizada, possível com o advento da computação, vários outros métodos não automatizados de biometria foram usados em períodos tão remotos quanto 6.000 anos atrás.

O uso da impressão digital para assinar documentos foi prática entre os antigos Assírios, Babilônios, Japoneses e Chineses. No Leste da Ásia, artesãos da cerâmica usavam a impressão digital marca pessoal para seus produtos. Negociantes do vale do Nilo, no Egito antigo, eram identificados pela altura, cor dos olhos e compleição. Essa informação ajudava a identificar negociantes com os quais os mercadores já tinha feito negócios com sucesso no passado. O explorador João de Barros relatou que os mercadores chineses estampavam mãos e pés de crianças com papel e tinta para distinguir uma criança da outra.

O primeiro estudo moderno sobre a biometria foi feito por Johannes Evangelista Purkinje, um professor de anatomia da Universidade de Breslau, que propôs um sistema de classificação de impressões digitais. O uso moderno da biometria se iniciou em 1858, quando Sir William Herschel passou a coletar impressões digitas nas costas dos contratos.

Em 1880, Dr. Henry Faulds propôs que os detalhes das papilas são únicos e que portanto as impressões digitais poderiam ser classificadas e usadas na solução de crimes. Na mesma época o Francês Alphonse Bertillon, tentando resolver o problema dos criminosos reincidentes que sempre forneciam nomes diferentes, imaginou um novo método de identificação baseado em medidas físicas do corpo humano. Bertillon acreditava que as medidas do corpo não mudavam com o tempo. No entato a Bertillonage era complexa e cara. O pessoal treinado media o comprimento e altura da cabeça, altura, largura, largura dos braços e dedos estendidos, etc. Em 1883, Bertillon começou a criar a sua base de dados de criminosos e no mesmo ano teve reconhecimento público ao identificar um impostor.

No final do século 19, Sir Francis Galton apresentou uma nova classificação para as impressões digitais usando os 10 dedos. Galton calculo em seu estudo que a chance de dois indivíduos possuírem a mesma impressão digital era de 1 em 64 bilhões. Galton determinou por quais características as impressões digitais poderiam ser reconhecidas (minúcias), que é basicamente o método em uso hoje. Em 1901, Sir Edward Richard Henry, como comissário assistente da polícia metropolitana, estabeleceu a primeira base de dados de impressões digitais da Inglaterra. O sistema de classificação Henry é usado hoje em todos os países de lingua inglesa. Em 1946, O FBI já tinha 100 milhões de fichas de impressões digitais em arquivo.

Biometria Automatizada

Os primeiros sistemas automatizados apareceram na década de 70. Em 1972, o Identimat, um dispositivo que media o dedo das pessoas, foi instalado em uma firma de Wall Street com o propósito de controle de ponto. Em 1974 a Universidade da Georgia começou a usar a geometria da mão em suas cantinas. A década de 70 ainda foi marcada pelo interesse governamental pelas tecnologias de reconhecimento e pelo surgimento do AFIS (sistema automatizado de identificação de impressões digitais). A década de 80 viu surgir os sistemas de reconhecimento facial, de retina e de íris, além do reconhecimento de assinatura.

Nas décadas de 90 e 2000, vimos a explosão de fornecedores e de aplicações, o aperfeiçoamento dos algoritmos de reconhecimento, o surgimento de padrões, o amadurecimento da indústria e crescente interesse do público, das corporações e dos governos.

O Pioneirismo do FBI

O FBI tem usado diversas formas de identificação biométrica desde o começo - de fotos a impressões digitais no começo (o FBI assumui o gerenciamento da base de impressões digitais americana em 1924) ao trabalho pioneiro com impressões latentes.

Em 1960 o FBI começou o processo de automatização e digitalização dos dados biométricos de suas bases. A medida que a tecnologia evoluiu nos anos 80 e 90, o FBI revitalizou seu processo de impressões digitais, em parceria com as polícias, ao desenvolver o IAFIS (Sistema de identificação de impressões digitais automatizado e integrado), que reduziu o tempo de resposta de pesquisas de meses para minutos. Agora o FBI começou o desenvolvimento do Sistema de Identificação de Próxima Geração, uma evolução lógica do IAFIS que irá incluir formas adicionais de identificação biométrica como face, tatoos, e impressões palmares.

O FBI começou com análise de DNA em seus laboratórios no final dos anos 80 e patrocinou o CODIS (sistema de indexação combinada de DNA), que começou a operar na década de 90. CODIS, que revolucionou o uso da "impressão digital genética" para estabelecer culpa ou inocência em investigações criminais, armazena perfis de DNA em uma série de bases de dados locais, estaduais e nacionais, todas ligadas via computadores para o uso em laboratórios policiais de qualquer parte dos EUA.

História da Biometria no Brasil

O Brasil adotou a biometria por impressão digital no início do século 20. O sistema de classificação das fichas decadatilares Brasileiras é o sistema Vucetich, que foi inventado pelo Dr. Juan Vucetich, policial e antropologista Argentino. O sistema Vucetich foi adotado na maioria dos países sulamericanos.

O 1° Sistema AFIS foi introduzido no Brasil no final de 1979 - o Printrak, da Thomas de La Rue, nos institutos de identificação da Bahia e de São Paulo, cada um tinha a capacidade para 4 milhões de registros decadactilares e 500 mil registros de impressões monodactilares. Ao contrário dos sistemas instalados nas polícias norte americanas e canadenses, nos anos de 1978/1979, no Brasil o AFIS não logrou êxito. E a causa, segundo o relatório da Thomas de La Rue, se deve ao baixo nível de qualidade das nossa impressões digitais, tanto entintadas como as latentes, somada a pouca utilização das impressões digitais nos casos policiais.

Em 2004 a Polícia Federal inaugurou o seu AFIS que foi interligado com o sistema de Informações Criminais (Sinic) dando origem ao Sistema de Identificação Nacional (SIN). O sistema foi inaugurado com 800 mil impressões digitais de criminosos registradas.

Em 2007 o governo Brasileiro começou a emissão do passaporte biométrico, além de diversos itens de segurança adicionais, o sistema do novo passaporte coleta assinatura foto e 10 impressões digitais roladas. Esses dados dever ser usados para criação de um passaporte de acordo com os padrões ICAO para e-passports, o que permitirá a leitura sem contato e a verificação dos dados biométricos.

Nas eleições de 2010, mais de 1 milhão de eleitores terão sua identidade verificada com o uso da biometria.

 

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